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| Ao contrário do
que se pensa, a torcida sempre foi o jogador extra com quem o São
Paulo pôde contar desde sua fundação. Nos anos 30,
empurrava o time com seus gritos de guerra, com o comparecimento em massa,
com listas de subscrição para premiar jogadores e tudo que
significasse incentivo ao time. Não era apenas o anônimo torcedor
que se mostrava fanático. Muitos diretores, nas tribunas ou arquibancadas,
se transfiguravam e se exaltavam na devoção ao São
Paulo. Ficaram famosas, na década de 30, as passeatas lideradas
pelo tenente Porfírio da Paz (depois general e vice governador do
Estado de São Paulo) pelo centro velho da cidade. Depois das vitórias,
manifestantes percorriam as ruas José Bonifácio, Direita
ou XV de Novembro, soltando o grito de guerras e muitos fogos.
Uma fotografia com mais de cinquenta anos, no álbum de Manuel Raimundo Paes de Almeida, mostra um alegre grupo vestindo uma camisa branca com o distintivo do São Paulo no peito e, em semicírculo, o nome Grêmio São-Paulino, abraçando o emblema tricolor. Era a torcida uniformizada. Também nisso o clube foi o primeiro. O grupo foi organizado por Paes de Almeida que conta: "O Grêmio São-Paulino surgiu na Mooca, em 1939. Fazíamos tudo com entusiasmo e por nossa conta. Lembro-me do primeiro espetáculo que demos no Pacaembú. Uma festa maravilhosa com sepentinas e confetes. Fizemos depois uma magnífica marchie aux flambeuax, em 1943, quando a moeda ficou em pé e o São Paulo foi campeão. Montamos um carro alegórico, com uma moeda enorme de pé, e fomos, em uma carreata buscar a Taça dos Invictos de A Gazeta Esportiva".
Eram sete grupos que apoiavam o São Paulo nos estádios: Garra Tricolor, Tusp, Real Tricolor, Independente, Dragões da Real, Sampa e Orgasmo. Enquanto a mais antiga era a Tusp, a maior (em números de sócios) era a Independente, fundada em 1972. A Real surgiu em 1983, a Dragões em 1984, a Sampa e a Orgasmo em 1986, e a Garra em 1989. Essas torcidas sobreviviam com mensalidades, e faziam todos os tipos de promoções para arrecadar fundos. De festas da cerveja a rifas, sorteios e listas. Tentavam igualmente conseguir patrocínio e desenvolviam o marketing vendendo bandeiras, camisetas, bonés e outros acessórios. Precisavam de dinheiro para manter as sedes, confeccionar faixas, financiar viagens, comprar ou manter os instrumentos da banda. Os líderes das torcidas chegavam cedo aos estádios, demarcavam limites, estendiam faixas, planejavam posição e movimento das bandeiras, cuidavam dos fogos de artifício com que recebiam o time em campo. Os associados dessas organizações tinham desconto de 50% nos ingressos e o São Paulo colaborava, eventualmente, cedendo os ônibus, quando os jogos eram fora da cidade. Há uma série sem fim de torcedores famosos. Como Lima Duarte, Juca Chaves, José Victor de Oliviera, Éder Jofre, o escritor e psicanalista Roberto Freire, o publicitário Neil Ferreira, e o diretor de mídia da Abril, Osvaldo de Almeida Filho. Mas no coração dos são-paulinos estão figuras como Filhinha, uma torcedora símbolo. Mulher humilde, doceira, foi para o estádio torcer em 1949, época em que mulher em futebol era uma coisa estranha. Mulher que chorava nas vitórias, empates e derrotas; chorava de alegria ou tristeza. Uma são-paulina simples. |
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